domingo, 31 de janeiro de 2010

Mães lésbicas: contar ou não contar?




Recebi, de uma leitora, uma pergunta sobre um assunto que andava pensando em comentar: “As mães homossexuais”. Contar ou não contar a noss@s filh@s que somos lésbicas?

Ao enviar a resposta a essa leitora, decidi que realmente devia escrever sobre isso, já que, segundo ela, há diversos textos falando sobre filh@s homossexuais, mas nunca sobre pais gays e mães lésbicas.

Ressaltei para ela que não pretendia dar nenhum conselho, mas emitir a minha opinião e contar meu caso pessoal.

Transcrevo, a seguir, um trecho da resposta que dei a essa leitora:

“Como esperar confiança de um/a filh@, se não confiarmos nel@? Como querer que el@ se abra para você, contando as angústias, pedindo conselhos, se não fazemos o mesmo?

Eu sempre fui absolutamente sincera com o meu filho desde que ele se entende por gente. Quando ele perguntava se ia tomar injeção, eu dizia que sim. Se ele perguntasse se ia doer, eu dizia que poderia doer sim, mas que depois ia passar, ele ia ficar bom e faríamos aquele passeio desejado. Eu sempre tive essa atitude, pois nunca desejei que ele perdesse a confiança em mim. Falei (e ainda falo) sobre todas as coisas, com sinceridade, para que ele se sinta à vontade para fazer o mesmo comigo.

Sou mãe dele, mas também sou amiga e quero que ele sinta o mesmo.

Muitas pessoas (inclusive muitas de nós) encaram a homossexualidade como algo associado exclusivamente ao sexo, portanto, ficam em dúvida se contam ou não aos filhos. Afinal, jamais comentaríamos com eles as nossas posições preferidas, ou os “brinquedos” que temos nas gavetas de nossas mesinhas de cabeceira.

Acontece que a homossexualidade envolve muito mais que apenas sexo. Envolve afetividade, postura diante da vida e da sociedade. Envolve nossos próprios conflitos, nossos medos. Envolve possíveis situações constrangedoras a serem enfrentadas. É muita coisa importante para ser escondida das pessoas que são tão importantes (se não as mais importantes) para nós.

Ao nos negarmos a discutir isso com noss@s filh@s, estamos, de certa forma, excluindo-@s de nossas vidas e isso, não é, absolutamente, justo com el@s, nem conosco.

Sempre tive a preocupação com o fato de meu filho vir a sofrer preconceito por minha causa, por uma “escolha” de vida minha. Contudo, depois de muitos anos, eu cheguei à conclusão que isso faz parte do aprendizado da vida dele. Ele (agora com 15 anos) chegou para mim no outro dia e disse que não tem o menor problema em relação a isso. “Se algum colega se afastar de mim por conta disso, não merece ser meu colega.”

Uma lição de vida. Ele escolheu a verdade, a falta de preconceito, o amor, o apoio, a mãe. Fico muito feliz por isso. E desejo a você a mesma felicidade.”

Depois de enviar essa resposta, eu, como boa escorpiana, fiquei remoendo o assunto. Ultrapassando o questionamento das relações entre mãe e filh@, existe um fato que nos inibe a ponto de fazer com que muitas de nós resolvam ocultar nossa homossexualidade (o que é perfeitamente possível, já que, ao contrário do nosso sexo biológico e da cor da nossa pele, por exemplo, não está escrito na nossa testa: “Sou lésbica”): a culpa.

A aceitação dos limites de comportamento impostos pela sociedade como “normais” está diretamente relacionada à culpa que o sujeito considerado “diferente” assimila e mantém dentro de si. A certeza de que “está errado”, ou pior, de que “é anormal”, faz com que ele se conforme com a necessidade de se ajustar a todo custo. O esforço do sujeito “diferente” para se adaptar reforça, para a sociedade, a “certeza” de que ele é um indivíduo “inferior”. Daí, maior será o reforço da culpa para o “diferente” e assim por diante, ad aeternum.

O caminho para se sair desse círculo vicioso está na aceitação que cada um/a tiver de sua “diferença”. Precisamos parar de incorporar a idéia de que esses conceitos sociais são os únicos corretos.

Fico impressionada com a maneira pela qual muitas mulheres falam de sua homossexualidade, quase pedindo desculpas por existirem.

Antes de querermos ser vistas de maneira natural, precisamos ter a certeza de que somos mulheres absolutamente comuns, como as heterossexuais. Temos que nos desvencilhar desse véu de preconceito vestido por nós mesmas, por não questionarmos o suficiente a sociedade opressora que teima em dizer o que fazer, o que vestir, como se portar, como amar.

Entendo que, para muitas pessoas, é difícil mostrar a própria homossexualidade. Há casos em que a pessoa corre riscos mais ou menos sérios. Não julgo ninguém. Penso que cada uma deve fazer o que achar melhor. No entanto, sei que, na maioria dos casos, a reação de quem escuta dependerá da naturalidade e da segurança de quem fala.

Digo isso por experiência própria. Nunca cheguei para alguém e “contei” que era homossexual. Mas todos os que convivem comigo acabam sabendo disso, pois comento com a maior naturalidade sobre meu fim de semana com a minha companheira e meu filho, conto fatos que acontecem conosco, como qualquer um faz no trabalho, por exemplo.
Eu não conseguiria viver me policiando para não deixar escapar nenhuma informação que desmascarasse minha homossexualidade.

A pessoa que encobre sua homossexualidade vive em um estado de tensão constante, pois teme ser “descoberta” e ver sua vida “desabar”. Além disso, ela se sente covarde e desleal para com os seus iguais, pois, para manter o seu disfarce, não poderá reagir diante de comentários preconceituosos a respeito da homossexualidade.

É muito comum gays e lésbicas “não assumidos” ouvirem piadinhas sobre homossexuais e não fazerem nenhum comentário a respeito e até se forçarem a rir com os outros, quando na verdade sentem raiva dos comentários preconceituosos e pejorativos.

Alguns indivíduos homossexuais chegam a se casar com pessoas do sexo oposto para não despertar nenhuma sombra de dúvida sobre sua orientação sexual. Essa situação gera, invariavelmente, sofrimento para todos os envolvidos no engodo.

Não estou disposta a viver assim. Talvez diga isso por ter uma família e um trabalho onde a minha homossexualidade não me causa transtornos sérios. Talvez fizesse diferente em circunstâncias adversas. Não sei. Só sei que revelar a homossexualidade é um ato muito libertador e dividir a vida íntima, a casa, com pessoas (especialmente filhos) que desconheçam (ou finjam que desconhecem) nossa homossexualidade, deve ser extremamente castrador.

Os hindus repetem três vezes a palavra paz: “Shanti, shanti, shanti.” É preciso que se procure a paz com o meio-ambiente, com o outro e consigo mesmo. A falta de uma delas naturalmente afetará a busca das outras. Enquanto não estivermos em paz conosco, não encontraremos a paz com nada, nem ninguém.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Rotular ou não rotular ?


Eis a questão.

Imagine um mundo sem rótulos. “Que maravilha seria” você deve ter pensado.
Mas será que imaginou nos mínimos detalhes?
Pense bem, nesse mundo sem rótulos, não haveria homens, mulheres, crianças, idosos, negros, aquarianos, brancos, carecas, magros, japoneses, gays e lésbicas. Afinal, tudo isso seria considerado rótulo. Então, como definiríamos alguém ou algo?
Quero dizer que rótulo não é bom e nem ruim, por si só. Rótulo define um tipo de pessoa, seja pela aparência, pela personalidade, ou qualquer outro motivo. A carga que damos a ele é que pode tornar-se um fardo ou não.

Foi-se o tempo em que eu me preocupava em ser rotulada como lésbica, butch, japonesa, ou qualquer outra coisa. Afinal de contas, eu sou tudo isso mesmo. Hoje luto para que alguns desses rótulos não tenham um significado negativo e, isso sim é algo válido de ser analisado.
Tem butch que se ofende ao ser comparada aos homens, como se ser homem fosse o fim do mundo.

Tem transexual (FTM*) que acha um absurdo ser chamado de lésbica – ou de travesti, no caso dos MTF**.
Tem gay que odeia quando descobrem que ele é gay. (Ué?)

Tem sapatão que só deixa outra sapatão chamar lésbica de sapatão. (ah, vocês entenderam, né?)

Tem heterossexual que morreria se seu filho fosse gay, mas jura que não é homofóbico.

Estas são apenas algumas situações que exemplificam a relatividade da carga que damos aos rótulos e também demonstram a nossa contribuição para acabar ou não com fobias em geral. Sem querer usamos a velha tática do “atacar, antes que me ataquem” e assim vamos perpetuando algo que só faz mal.

Generalizações são para os pouco observadores, os que quase nunca se aprofundam em algum assunto e já tiram conclusões precipitadas por aí. Adoram colocar tudo dentro do mesmo saco:

- Homens não prestam.
- Gays são promíscuos.
- Lésbicas nunca tiveram um homem de verdade.

Quer coisa mais “rotuladora” do que os signos astrológicos? Taurinos são teimosos, aquarianos são futurísticos, virginianos são perfeccionistas e por aí vai. E, apesar de tantos meios de se rotular alguém, podemos nos divertir, nos unir, nessa grande brincadeira de sermos diferentes. Se não há como fugir dos rótulos, vamos tentar dar mais leveza e beleza aos que andam em baixa, brincando mais, sem mágoas ou ofensas.

Tuiteiros promovem beijaço pelos direitos humanos


Protesto acontece no dia 7 de fevereiro na avenida Paulista; saiba como participar

Tuiteiros promovem no próximo dia 7 de fevereiro na avenida Paulista, esquina com a rua Augusta, um beijaço para defender as medidas contempladas no 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, apresentado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos do Governo Federal.

O ato público pretende reunir mulheres e homens, homossexuais, héteros e bissexuais, travestis e transexuais, para protestar a favor do chamado PNDH3, que prevê, entre outros direitos, a união civil entre pessoas do mesmo sexo, a criminalização da homofobia, a legalização do aborto e a adoção homoparental. A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ligada à Igreja Católica, manifestou-se contra essas propostas na semana passada.

Em nota enviada à imprensa, os organizadores do beijaço dizem que querem “expressar seu comprometimento e apoio a implementação destas políticas públicas e ainda expressar seu repúdio ao ataque vazio e fanático do qual o plano está sendo vítima”.

“A ideia é mostrar, com muita alegria, que as pessoas são diferentes umas das outras, nascem, vivem, se beijam, amam, se relacionam com quem bem entendem, e independente de um ou outro grupo que torce o nariz, sua vida vai continuar acontecendo no anonimato de suas casas”, dizem os organizadores.

O PNDH3 prevê também o cumprimento da Constituição quanto ao caráter laico do Estado brasileiro e pede a retirada de ícones religiosos de instituições públicas.

Serviço:Ato público “Beijaço pelos Direitos Humanos”
Quando: Dia 7 de fevereiro, às 17h
Onde: Esquina da avenida Paulista com a rua Augusta

Lésbicas promovem beijaço no Rio



A jornalista Tuani Brauns, 23, planeja para esta sexta-feira (22/01), no Rio, um beijaço para protestar contra a discriminação que ela e a namorada sofreram no bar Armazém do Chopp, localizado no bairro do Flamengo, zona sul carioca.

Segundo o portal Parou Tudo, no último dia 15/01, Brauns e a namorada foram hostilizadas pelo suposto gerente ou dono do local apenas porque estavam de mãos dadas por baixo da mesa. Elas contam que ignoraram a postura intimidadora do gerente e soltaram um “dane-se”. “Dane-se nada, eu boto vocês para fora”, teria respondido o homem.

Com medo da reação do dono do local, o casal e os amigos se retiraram do bar. Em e-mail, o grupo conclama para o beijaço: “Fomos pra casa e pensamos, pensamos, pensamos. Decidimos organizar um beijaço de verdade. Com muitas meninas, meninos gays, simpatizantes. O lance é reservar mesa grande, a galera ir chegando, consumindo nada além de uma água sem gás. Quando todos estiverem presentes, começamos o beijaço. Vale amiga beijar amiga, amigo beijar amigo, beijos fofos, selinhos, abraços carinhosos, sem baixaria, pra que não percamos a razão. Alguém deve filmar, porque muito provavelmente seremos rechaçados.”

Grupo Arco-Íris
O Grupo Arco-Íris enviou nota onde repudia a atitude do dono do estabelecimento. “Lembramos a nossa comunidade que no Rio possui duas leis que resguardam os LGBT de homofobia em estabelecimentos comerciais. É o caso de se aplicar a lei estadual 3406 de 2000, que penaliza bares, restaurantes, lojas etc. por discriminarem pessoas em virtude de sua orientação sexual. A lei municipal 2475 de 1996 também caminha nesta mesma direção, portanto é inadmissível que estabelecimentos comerciais continuem a discriminar nossa comunidade. Devemos reivindicar o cumpra-se das leis e fazer com que com o Estado e o Município assegure nossos direitos e cumpram as leis em questão”, explicou a presidente do Grupo Arco-Íris, Gilza Rodrigues.

A Lei 3406/2000
Esta Lei estabelece penalidades aos estabelecimentos localizados no estado do Rio de Janeiro que discriminem pessoas em virtude de sua orientação sexual. Dentro de sua competência, o Poder Executivo penalizará todo estabelecimento comercial, industrial, entidades, representações, associações, sociedades civis ou de prestações de serviços que, por atos de seus proprietários ou prepostos, discriminem pessoas em função de sua orientação sexual, ou contra elas adotem atos de coação ou violência.Entende-se por discriminação a adoção de medidas não previstas na legislação pertinente, tais como: constrangimento; proibição de ingresso ou permanência; preterimento quando da ocupação e/ou imposição de pagamento de mais de uma unidade, nos casos de hotéis, motéis e similares; atendimento diferenciado; e cobrança extra para ingresso ou permanência.

Documentário traz entrevistas com militantes do movimento LGBT



Foi lançado no último dia 14 de janeiro, no Rio, o documentário “Sou Mulher, Sou Brasileira, Sou Lésbica”, dirigido por Vagner de Almeida.

O filme traz entrevistas com militantes dos movimentos de mulheres lésbicas, que relatam sua luta contra o estigma, a intolerância e o machismo. “A força desse filme está nas falas, nas vozes dessas mulheres – lindas, fortes, poderosas, honestas, guerreiras, mães, filhas, tias, avós, amantes, parceiras, vizinhas”, diz o diretor.

Vagner de Almeida iniciou a carreira em 1995, com o curta “Cabaret Prevenção”, que abordava a realidade cotidiana dos homossexuais e o impacto da epidemia da Aids. Em 2004, ele dirigiu “Borboletas da Vida”, sobre a realidade de jovens homossexuais das periferias das grandes cidades.

"Sou mulher, Sou Brasileira, Sou Lésbica" contou com o apoio do governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos e da ABIA – Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids.

Família não sabia da homossexualidade de Angélica



A homossexualidade de Angélica, do "Big Brother Brasil 10", pegou os familiares da mineira de surpresa. "Nós não sabíamos disso. Só soubemos quando ela disse no programa.

Angélica não tocava neste assunto com a gente", contou a tia da participante, Silvana Martins. A preocupação agora é que Angélica não seja alvo de preconceitos. "Ela continua sendo a minha sobrinha e vai poder sempre contar com o apoio da nossa família. A gente só não quer que ela sofra", explicou.
Para Silvana, Angélica não deixa a casa no paredão da próxima terça-feira (26/01). "Acho que o Alex deve sair", opinou Silvana, que assegura que a sobrinha não está jogando: "A Angélica que está na casa é a mesma que conhecemos. Muitas vezes, parece que ela está em cima do muro porque não toma partido das brigas. Mas ela age do mesmo jeito aqui fora", revelou.


A produtora MZ Filmes realizou nos últimos dias 23 e 24 de janeiro a primeira bateria de testes em busca do apresentador para o programa Pronto Falei.

O diretor Duda Leite e uma equipe de oito pessoas gravaram os testes em estúdio em São Paulo na Vila Mariana, que consistiam em três partes.

Primeiro, o candidato era entrevistado por outro candidato, depois gravava a cabeça de uma matéria em formato de dica e finalmente entrevistava um outro candidato.

Dezoito candidatos, de todos os tipos e idades, se apresentaram para encarar o desafio de apresentar o programa Gay cujo piloto deve ser gravado em fevereiro para a Fashion TV.

Cantor Jason Mraz manifesta total apoio ao Casamento Gay



O cantor norte-americano Jason Mraz disse em seu blog que acha um desrespeito o questionamento que fazem sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.“Todo mundo tem o direito de fazer planos e proteger as pessoas com as quais se importam.”Mraz acredita que, assim como o governo não questiona a validade dos casamentos entre heterossexuais, os Homossexuais deveriam ter o mesmo tratamento.O cantor, em entrevistas passadas, revelou já ter ficado com homens, mas nunca houve um envolvimento sério.Até que se prove o contrário, ele é um hétero simpatizante e um aliado à causa GLBT.


Um estudo divulgado hoje pela Comissão Europeia revela que 53% dos portugueses apontam a orientação sexual como o principal factor de discriminação no país, à frente da origem étnica e da deficiência.
Contrariamente a Portugal, na Europa 61% dos consultados apontam a origem étnica como principal factor de discriminação, seguida de idade (58%), deficiência (53%), orientação sexual (47%), sexo (40%) e religião ou crenças (39%).
Será que limitar a votação sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo ao parlamento, em detrimento de um referendo, onde a discussão seria muito mais ampla e esclarecedora, irá contribuir para diminuir este fenómeno?

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